Como quer que eu acredite em você desse jeito? Eu não posso acreditar no que fez, como teve coragem para isso? Você me decepcionou muito hoje. Queria que tivesse ao menos, sido sincero. Por que não fez isso? Era tão difícil assim, ser sincero? Não consigo, não posso acreditar no que vejo, no que senti, estou me perguntando, até agora, como pode fazer isso? Você foi muito indiferente, e mesmo sabendo, que eu estava ali, foi lá e fez, como se eu não existisse, como se nunca tivesse existido. Como se o que aconteceu entre nós, não significasse nada para você. O que havia entre nós? Também não sei, mas era especial.
Eu estou em um lugar desconhecido, vejo
outro você. Ah' qual é? Não posso escrever sempre sobre você, não é? Esqueci você. Mudei. Agora estou em uma sala de vidro, sozinha, aguardando alguma coisa, alguém. Não consigo distinguir onde estou, nem como cheguei ali. Só sei que estou ali,
te esperando. Por que? Bom, eu podia simplesmente inventar milhares de desculpas, para esconder a verdade. Mas, chega. Cansei de tentar te confundir. Afinal, por que eu faço isso? Por que me faz tão bem, te deixar mal? Ah' enfim, não estou falando de mim, e sim de você. Eu estava por algum motivo, te esperando, em um lugar que nunca vira, um lugar desconhecido. Mas como pode ser tão familiar ao mesmo tempo? Bom, eu não sei se há em você, alguma lembrança de mim. Não sei se sabe, ao menos, o meu nome. Eu estava pensando nisso, você sabe o meu nome? Acho que não, me reconhecer na rua já é o bastante, eu sei disso. Bem, de qualquer forma, onde eu estava, você chegou, sentou, mas era como se não me visse, estava fazendo de propósito, ou realmente não me via? Olhei minha mãos, eu não estava ali, de verdade, mas eu estava sentada a seu lado. De repente, eu chego. Eu? Como? Hãn' pelo que parecia, eu estava invisível, pois aquele não era meu lugar, eu estava ali, somente como observadora. Eu estava em um de meus sonhos mais profundos. Eu me observei com você, e percebi o quanto desperdicei. O tempo que pude estar a seu lado e eu não quis. O tempo que joguei fora, por puro orgulho. Como pude ser tão burra? Quanto tempo desperdiçado, por bobagens. Por que sempre acabo cometendo os mesmos erros?
Despertei-me daquele sonho, que parecia, que era muito real. Eu sabia, que se não mudasse minhas atitudes, estaria naquele mesmo lugar em pouco tempo, me despedindo de tudo e todos, provavelmente indo em busca de um abismo. Para me jogar, e me afogar em um súbito, de paz e silêncio. Sem levar ninguém comigo. Sozinha para sempre.